sexta-feira, 9 de março de 2012

Imprevistos


Senti a refrescante sensação das ondas geladas tocarem meus pés tão delicadamente. Era irônico como o sol parecia estar bem acima da minha cabeça e a água permanecer tão galada. Sempre foi assim. A água sempre molhava meus pés, o sol corava meu rosto.
Eu amava o lugar, o silencio e o deserto. As folhas das palmeiras distantes balançando com o vento forte que esvoaçava meu vestido de tecido leve.
Eu me pergunto se eu devia mesmo ter voltado ao lugar em que estou agora. Por um minuto, sinto que não deveria ter vindo. Não que estivesse cansada de vir até aqui. Mas, sentia vergonha pelo que fiz tempos atrás. E toda essa sensação antiga, fazia com que memórias reprimidas aflorassem a cada milésimo de segundo.
Era um cenário similar. Porém, era fim de tarde e o céu estava azul. Logo mudaria de cor, eu sabia. Eu conhecia cada grão de areia que ficava preso aos meus cabelos, e o sabor da maresia era familiar para mim. As ondas faziam seu som costumeiro, perdendo seu azul marinho para um cinza prateado. Devia ser um lindo cenário, mas estava desfocado para mim. Aquela tarde não foi tão admirada por mim como as muitas outras anteriores. Mas foi a que eu mais pensei nos últimos anos.
Eu tinha 17 anos. Ele 18. Faria 19 nos próximos meses. Em cada verão, minha família costumava ir para uma das casas de praia ali próximo. Minha maior atração era o pôr-do-sol. Em seguida o céu ia escurecendo e, como que percebendo isso, as estrelas começavam a brilhar para iluminá-lo outra vez. “Era para que eu pudesse admirá-las por mais tempo, e não ir embora tão cedo” que isso acontecia. Foi o que Nick me disse na primeira noite que o encontrei lá. Eu estava sentada na areia. As noites anteriores haviam sido mais frias, e especialmente nesta noite a lua voltara a brilhar. Então fiquei mais tempo. Ele surgiu no silencio, e em pouco tempo dizia isso. “Não é verdade!” Brinquei e então conversamos até tarde da noite.
Foi como o alinhamento de cada estrela que queimava no céu e como se nós fôssemos o ponto final dessa linha. Voltamos a nos ver nas tardes seguintes e isso durou todo o verão. Mas a ligação foi mais forte que uma estação. Passávamos horas juntos. Ele me fazia rir e quando eu deitava para dormir eu sempre me perguntava quem me destinou a sorte de conhecê-lo. Eu sorria quando tentava pegar no sono lembrando ele, e esperava por um milagre a cada vez que nos despedíamos. Não estávamos mais nessa praia, mas nos víamos várias vezes na semana, nos falávamos todos os dias. E no inverno, no meu ultimo ano da escola, no momento em que eu descia as escadas vi um olhar conhecido. Um brilho que acelerou e descompassou todos os meus batimentos cardíacos seguintes. Corri sentindo seus braços tomarem contam do meu corpo num abraço e naquela mesma noite fria, eu senti seus lábios embriagantes pela primeira vez. Como um vício na primeira dose eu queria sempre tê-los para mim... todas as vezes em que ouvi “Eu te amo, Miley...”.
No verão seguinte voltamos aos nossos destinos marcados. Foi o mesmo em que descobri a casa que ele ficava. Desta vez tinha vindo sozinho. Tinha seus motivos, queria decidir a vida. Fui até lá. Ele tinha dois hobbies no quais sempre falava. Encantei-me com cada traço de pintura, delicada, suave e intrigante. Esse era um deles. Os quadros espalhados por uma das salas da casa eram completamente diferentes, embora tivesse a característica de uma mesma pessoa. Nick estava parado na porta e eu absorta na imaginação, no significado, no sentimento que ele deveria ter ao pintar daquela forma. Eu estava completamente encantada. Pensava em um “passatempo”, não em obras de arte. Eu podia imaginá-lo passando o tempo naquela sala. Sujo de tinta, com certeza. Ri ao imaginar como deveria ser uma cena digna de tirar o folego de uma garota como eu. Sem camisa, um pincel apoiado entre os dentes enquanto tentava sorrir e outro na mão com a mistura de cores tomando forma no quadro à sua frente. O olhar crítico sobre a imagem formada em sua mente ou no seu objeto de inspiração.

- Espero que essa expressão signifique algo bom. – Ele brincou tímido ainda encostado na soleira da porta.
- Não sei o que dizer. Como nunca me mostrou isso? – Disse fascinada.
- É relativo... o “nunca” acabou de perder o sentido.

E ele tinha razão. Eu nunca havia visto, mas estava vendo agora. Parabenizei-o do meu jeito... apoiando meu corpo contra o dele e, num sorriso infantil, beijando os lábios bem delineados que ele tinha. O sorriso infantil desapareceu logo e eu sei que naquela noite eu estaria totalmente em suas mãos, nas mãos do momento, nas mãos dos nossos corações que eu podia sentir cada forte batida, cada respiração fora de controle e cada calafrio que o toque dele me causava.
Eu gostava quando nossos dedos brincavam entre si, gostava das nossas mãos coladas ao caminhar pela praia. Ele tinha mania de deixar os olhos apenas entre abertos, me forçando a querer ver através deles. Tinha o sorriso torto propositalmente. Todos gostavam dele na minha família, entre meus amigos... Ele foi a melhor coisa que já me aconteceu, meu melhor imprevisto. E eu o amava de uma forma inimaginável.
Nick vinha de uma família distante. O pai sempre estava ocupado administrando uma grande empresa e Nick nunca o culpava por isso, apesar se sentir a dor da falta. Eu não dizia, mas eu via essa dor naquele olhar que eu conhecia tão bem, todas as vezes que tocava no assunto. Senti a mesma dor ao ouvir que o pai tinha o desejo de que Nick o substituísse um dia. Sim, eu queria o melhor para ele. Mas, eu também sabia que não era isso o que ele queria. Ele gostava da natureza, das pinturas, das melodias do piano instalado na sala de estar da casa na praia. Ele gostava de mim.
Sempre conversávamos sobre esse futuro... traçamos planos de entrar juntos numa universidade, seja ela qual fosse, ou então fugiríamos sem deixar recado... ou quem sabe eu deixasse. Casaríamos-nos às escondidas. Passaríamos cada chuva torrencial na praia, mesmo que fizesse um frio insuportável. Ríamos sempre que pensávamos na ideia boba e divertida.
Eu, criada numa família com boas condições, também nunca encarei o futuro com tanta seriedade como minha família fazia. Eu queria seguir meu coração e ele estava com Nick. E tudo sempre daria certo. Pelo menos, até o primeiro desentendimento.
Minhas pernas já sentiam o cansaço causado pelo esforço de correr pela areia fofa. As lágrimas rolavam do meu rosto e caíam em minhas mãos antes que pudesse enxugá-las. Estava irritada. Nós já havíamos conversado várias vezes sobre o assunto, e, embora nunca tivesse ficado totalmente claro, eu sempre achei que concordávamos. Nick disse que iria resolver alguns assuntos com o pai. Iria o mais rápido, logo que o dia amanhecesse. Ele não disse qual o motivo da repentina viagem, depois de tanto tempo que já não tinha “assuntos a resolver” com o pai. Esse foi o “imprevisto” que eu tanto amaldiçoei mentalmente por tanto tempo.

- Miley! – Ele chamava correndo atrás de mim. Nunca havíamos realmente discutido. Não havia motivos. Até aquele momento. Eu estava cansada de tentar entender o porquê da viagem, entender se ele voltaria, e tentar convencê-lo a não ir. Estava cansada e agora eu tinha aquelas lágrimas no rosto.
- O que foi??!! Você não quer ficar aqui comigo? Por quê? Porque não me explica nada?!!
- Eu já expliquei, meu pai precisa de mim agora, Miley!
- E eu? Não preciso? Nick... eu achei que você sempre tinha concordado comigo em não ir. Mas lembrando bem, você nunca disse nada sobre isso. Tudo porque você realmente queria se tornar um “Homem de negócios” como seu pai!! – Eu soluçava. Estava à beira do mar e ele chegava perto.
- Eu não quero ser como ele!! Mas, ele é meu pai... tenho a obrigação de ir já que ele precisa. Eu nem sei o que é ainda!
- E não consegue imaginar, eu suponho! – Fui duramente irônica. - Você sabe o que seu pai sempre quis de você.
- Não vou deixar que ele mude meu pensamento. Miley... ele não é tão incompreensível como você diz. E... eu prometo voltar logo.
- Então, me leva com você. – Falei firme.
- ...Não posso... Miley, você precisa entender.
- Nick... já entendi que você tem que ir. Mas, porque não quer me levar junto? Nunca falou para o seu pai sobre mim? Sobre... nós? – Minha voz sumiu aos poucos.
- Não é nada disso! Só acho que ele precisa de “ajuda”... não de uma visita. Eu prometo que logo que tudo estiver bem eu volto e te levo para conhecê-lo.
- Você está me deixando aqui, então?
- Nunca vou deixar você.
- Mas... Nick, só podemos ver um motivo de você precisar ir com tanta urgência. Eu amo o garoto que conheci no verão passado, que gosta de pintar, gosta de música e do som das ondas quebrando. – Minha voz soava como uma súplica no desespero de uma mudança repentina. - E se ele for embora eu vou entender que meu amor não é correspondido o suficiente... – Eu levantei os olhos com a visão turva pelas lagrimas. Ainda assim pude ver seu rosto empalidecer. Ele ficou imóvel, e eu podia ouvir minhas ultimas palavras ecoando no espaço entre nós. Nick deu passos até mim e parou. Abraçou-me forte.
- Eu sempre vou te amar. Quer você entenda, quer não.
- Eu também. Mas, se você vai embora, só me resta fazer o mesmo e esquecer todos os planos idiotas que fizemos.

Livrei-me de seu abraço com dificuldade. Ao correr para longe, eu congelava meu coração e todo aquele sentimento. Doía, e até hoje não entendo porque o deixei lá, petrificado. Guardei a sensação do seu ultimo abraço e da água tocando meus pés... gelada também.
Não o vi por um longo tempo. Apesar disso eu quis voltar antes mesmo de perdê-lo de vista. Mas fui firme o suficiente para pensar em mim mesma. Resisti o suficiente para não atender nenhum telefonema, não responder uma única carta.
“Eu sempre vou te amar...” era assim que ele terminava cada uma delas e eu me obrigava por completar a frase mentalmente, de forma automática. Na verdade, eu não as lia. Mas abria e lia as palavras finais... revirando os olhos jogando a carta em qualquer lugar. Mas eu sentia falta. E queria tê-lo de volta. Eu queria nunca ter gritado com ele, nunca ter corrido dos seus braços. Mas, talvez isso devesse ter sido feito...
Rasguei nossas fotos. Apenas uma não consegui, e então escondi no fundo do closet da casa de praia. Dificilmente eu voltaria a vê-la. Mas, senti que me arrependeria se a rasgasse. Não sei por quê.
O que mais penso sobre aquela ultima tarde que o vi é “O que teria acontecido se eu não o tivesse deixado?”. Ele teria voltado? Ou teria se tornado o homem que eu nunca quis que ele se tornasse? Eu não sei. Mas eu queria saber, e foi por isso que, depois de muito tempo atendi um telefonema. No visor o nome dele aparecia com um alerta para não atender... desobedeci meu próprio aviso.

- Alô... – Eu disse tímida e uma voz surpresa soou do outro lado. Era suave, me fez fechar os olhos para ouvi-la no escuro dos meus pensamentos.
- ... Miley??... Ah, me desculpa. Não esperava mais que você fosse atender... mesmo. Então... como você está?
- Bem... muito bem.
- É bom ouvir sua voz. – De repente não tive resposta. Ou tive.
- Digo o mesmo... – Falei tão baixo, quase num sussurro. Não queria ser ouvida.
- Como disse?
- Nada! Não disse nada.
- Ok... escuta, me desculpa falar assim. Não pense mal de mim. Na verdade, eu não devia ter falado, não sei se existe alguém “em especial” que se incomodaria em me ouvir falando outra vez com você. Quer dizer, eu não tenho notícias de você, meu Deus! – Ele disse atrapalhado e eu ri silenciosamente do outro lado da linha. Assim como ele sempre me fazia rir. Senti que ele percebeu.
- Na verdade... Nick, eu quero te ver. Amanhã, no fim da tarde, no por do sol. No meu lugar favorito.
- ...tudo bem. Mal posso esperar.

Desliguei sem me despedir. Eu queria continuar aqueles minutos na tarde seguinte. No “nosso” lugar favorito. Não era só meu. Era dele também. Mas eu não sabia, muita coisa poderia ter mudado.
E é por isso que hoje estou bem aqui. No mesmo lugar que o deixei anos atrás. Cheguei cedo, por isso, agora eu que estou sozinha nesse lugar. Já não é mais tão cedo, já passou da hora e eu continuo aqui sozinha. O sol está terminando de se pôr. Talvez Nick não aparecesse. Talvez só continuasse me ligando por pensar que eu nunca atenderia mesmo. Mas, ninguém faz isso. E é por isso continuo a esperar.
Eu não queria sair sozinha depois do sol desaparecer. Ele não viria. Não o culpo por me deixar aqui. Eu fiz isso. Deve ter motivos, assim como eu tive os meus. Então levantei e, como uma vez o vi fazendo e até achei graça, acenei para aquele pôr-do-sol laranja refletido no mar.

- Daqui a pouco as estrelas começam a brilhar, por que está indo embora tão cedo? – Ouvi a voz atrás de mim e virei subitamente, assustada. Ele continuou dramatizando, divertido. – O espetáculo mal começou!  
- Ah... aprendi isso com você. – Falei sem jeito apontando para a mão que usei para acenar, a mesma que deixei suspensa no ar enquanto me virei.
- Não sabia que se lembrava disso. – Sorri tímida. Os cabelos dele estavam bagunçados novamente pelo vento e os olhos semiabertos com o sorriso de canto de boca.
- Pensei que não viria.
- Oh, desculpe! O carro quebrou no caminho, tive que chamar um cara para consertar enquanto eu vinha correndo pra cá. – Ri sem conseguir esconder.
- Veio correndo?
- Não poderia deixar você ir embora mais uma vez. Não antes de saber como está.
- Bem. Bem melhor.  – “...agora” eu quis completar. – E você?
- Na mesma. Meu irmão mais novo continua ruim de saúde e meus pais são inconsoláveis. Mas, uma hora tudo isso vai acabar...
- O que seu irmão tem? – De súbito, percebi que eu deveria saber.  – Desculpe... não li as cartas. Deveria ter lido.

Nick não queria direcionar para este rumo a conversa. Mas eu insisti. Já havia visto o irmão mais novo por foto e eles se pareciam muito. Queria tê-lo conhecido. Aos 7 anos foi diagnosticado com leucemia. Nick e ele eram muito apegados mesmo quando estavam longe. E quando Nick foi embora... era por ele. Ele não voltou logo, queria ficar com o irmão que não percebia o quão rápido sua vida chegava ao fim. Como um fio perto de romper. Nick talvez fosse a força que o mantinha feliz apesar de tudo o que devia sentir. Entendi isso por si só. Nick não falou sobre si mesmo, mas disse que agora estava realmente chegando ao fim do sofrimento... um garotinho ainda que mal tinha forças mais para falar na maioria dos dias, mas que lutava para manter os olhos abertos enquanto fosse possível.
Ouvi tudo calada. Não pude entender como fui egoísta em ter me preocupado apenas comigo. Não li cartas, não atendi telefonemas e Nick, principalmente ele, deveria estar levando tudo isso sozinho. Isso porque eu o deixei sozinho. Lágrimas saíram dos meus olhos e eu tentei ser discreta.

- Ei, não precisa chorar. Você deveria ver como ele é otimista. – Disse animado e eu tentei sorrir. – Ele queria muito te conhecer.
- A mim?
- Sim... desculpe, mas sempre falo de você e ele já me viu tentar ligar. Ele te viu por foto e disse que você era muito bonita. – Achei graça e ele continuou em tom animado. – Na verdade, eu fiquei com ciúme.
- Eu quero conhece-lo, Nick.
- Eu não vim aqui te obrigar a fazer isso...
- Eu realmente quero se não for atrapalhar você em nada.
- Não, não vai.

Ele quebrou o silencio e conversamos até tarde da noite. Esclarecemos coisas passadas, eu estava pronta para recomeçar. Nossos olhares colidiram no mesmo ponto. E foi como se nunca tivéssemos nos separado.
Dois dias depois estávamos a caminho do hospital que Frankie estava internado. Era um hospital que atendia a classe alta e muitas portas eram de vidro, dando um ar moderno. Era calmo. Nick arrastou uma das portas e eu o vi deitado em uma cama. A enfermeira saiu e nos deixou à sós.

- Oi Franckyy...! – Cantarolei baixinho pegando a mão dele. Seus olhos se voltaram para mim e tinham o mesmo brilho doce dos de Nick. Foi como vê-lo em outra pessoa.
- E aí, garotão! Tudo bem? Sabe quem é essa? – Vi um sorriso contrastar com o rosto.
- My...? – Não conseguiu terminar.
- É... My! Sou eu sim. Queria muito conhecer você. Sabia que o Nick fala muito de você? – Ele riu.

Era pequeno, estava magro e extremamente pálido. Tinha como que hematomas espalhados pelo corpo. Mas os olhos ainda estavam vivos. Falava pouco, mas parecia melhor que nos outros dias, segundo Nick havia me falado. Mas parecia tão frágil.
Tentei sorrir e anima-lo, mas não era algo fácil ser mais otimista que ele próprio. Era uma criança. Era completamente amável e cativante. Vê-lo sorrir me fez querer fazer parte disso, em fazer tudo e o impossível para que ele ficasse bem. Nick também queria fazer isso. De forma involuntária entrelacei minha mão com a de Nick. Eu estava insegura, mas determinada. Ele estava calmo, já devia estar bem acostumado com tudo. Inclinei o pescoço e sorri olhando em seus olhos e, embora parecesse confuso, tentamos ser discretos na frente de Frankie. Não separei nossas mãos até irmos embora.

- Até agora não sei se vou ter problemas com isso. – Ele falou divertido ao levantar nossas mãos ao chegarmos ao estacionamento.
- Não vai... ninguém tomou seu lugar. A menos... a menos que alguém tenha conseguido o meu... – Fiquei apreensiva. Ainda não tínhamos falado sobre nosso presente de forma tão clara. E se... ele focou meus olhos bem perto.
- Não, seria impossível.

Aproximei meu rosto do dele e, como nunca mais havia sentido, a mão dele segurou minha nuca e nossos lábios se tocaram.

- Miley... você não precisa fazer isso só por causa de tudo o que está acontecendo por aqui.
- Não é por isso. Eu... senti sua falta, Nick. De verdade.

Os dias seguintes foram melhores. Numa manhã Frankie praticamente dava gargalhadas enquanto conversava com o pai. Eu e Nick dividimos nosso tempo, mas ficávamos cada vez mais juntos.  Até que aquela foi a última manhã em que Frankie apresentou melhoras. Durante a mesma noite seu estado de saúde piorou. Era tenso, estávamos todos no hospital para o que fosse preciso. Mas, Frankie não precisou de mais nada. Não resistiu a mais um dia.
O médico não sabia o que dizer, mas as imagens ainda repassam em câmera lenta na minha cabeça. Nick tentando ser forte ao abraçar a mãe que chorava descontroladamente. Afastei-o ficando com ela enquanto ele falava com o pai que parecia não querer acreditar no que acontecia.
Diferente de outros dias tristes, este era mais um dia de sol. Nick tinha um olhar distante, já havia chorado apenas na minha frente. Depois de todas as formalidades ele pediu para irmos para outro lugar. Não questionei a atitude dele, e então fomos, no carro, até a casa de praia dele. O tempo passava de forma vazia, então não percebemos o quanto levamos para chegar.
Aqui, sentados na areia sinto que falta alguma coisa. Mas, depois de todas as perdas ainda estamos aqui sentados juntos. É como se algo estivesse mais forte. Encosto minha cabeça no ombro dele e ficamos apenas admirando o mar.

- Obrigada por ter ficado todo esse tempo.
- Não tem que agradecer, Nick... eu ficaria muito mais com seus pais, com você... com o Frankie.
- Não vai mais precisar ficar com ele.
- Ele era incrível, não era?
- Sim, era. Eu disse que teria ciúmes dele. – Disse rindo sem vontade.
- Sabe a primeira coisa que me chamou atenção nele? – Nick negou, me encarando de lado.
- Vocês tem o mesmo olhar. E acho que essa é exatamente minha fraqueza. Posso vê-lo agora através dos seus olhos. Vocês sempre terão essa ligação.
- Você o vê?
- Sim. E... eu acho que apesar de tudo foi ele que fez com que ficássemos juntos outra vez. Quer dizer... ele queria me conhecer, não era?
- Tem razão... ele nunca soube que um de nós havia ido embora.
- Não precisava saber. Estamos aqui agora, não estamos?
- Eu sempre perco quem eu mais amo.
- Nem sempre, Nick.
- Já aconteceu com você? – Sabíamos que falávamos de nós mesmos, de forma indireta.
- Quase.

Era totalmente compreensível e não usamos mais palavras. Era suficiente para entendermos que ainda tínhamos um ao outro. Quem sabe, daqui a muitos anos ainda estaríamos aqui, neste mesmo lugar. Ele ainda acha que em algum momento me perdeu. Mas continua enganado quanto a isso. Eu não poderia ter tomado de volta meu coração se já o tinha dado completamente a alguém. Na primeira noite que o vi eu não o esperava, mas talvez estivesse preparada para o “imprevisto.” E como eu sei disso? Eu sempre o amaria, quer ele entendesse, quer não.

Miley

9 comentários:

Hannah Montana disse...

Muito perfeita essa One, de verdade vc continua sendo uma escritora tao marcante, sou uma grande fã sua!
Bjos

kelly lino * disse...

omg perfeitoo !! sabe eu amo historias romanticas e de todas que ja li essa é a melhor !!!!
posta logo
xoxo

Lívia Vasconcellos disse...

Incrível, realmente, chorei com a morte de Frankie.
Foi uma história bem... interessante.
xoxoxoxo =)
Posta logo.

Fernanda disse...

http://everwaitingforyou.blogspot.com.br/2012/03/tag-da-linda-da-luiza.html
TAAAAG!!
OBS: AMEI A HISTÓRIIIA!!

bjbj

Tmendre disse...

HEYYYY...
TIPO VERGONHA VIIM AQUI
HAUSHAUSHUAS'
Enfim... eu finalmente terminei de lê o Ever s2 Niley
EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE
BATEM PALMAS
Ta parey
Cara o final ficou emocionante
EU CHOREI, nem liga que eu to de TPM e com TPM eu sou instavel enfim... haushashaushas'
CARA E ESSA SUA HISTÒRIA AQUI< LINDA, LINDA, LINDA de maaaaaiiisss
TAO emocionante em todos os sentidos, doeu ve o sofrimeno de tosa familia, doi mais ve isso do que a morte, porque sabemos que com a morte a pessoa descansa em paz :D
Não vejo a hora da próxima história
Espero que não demore :)
E desculpe de verdade essa vergonhosa demora *_*
I HATE ME haushuahsuahsu'
Beijos
Peace&Love

Jééll disse...

adorei..realmente muito linda a historia. Mal posso esperar a proxima historia.
posta logo please.
Beijinhos.

A Girl of Thous and Feelings disse...

LUA OMG OMG OMG QE SDDS POXA CARA EU NAU ACREDITO, COMO SINTO TUA FALTA MANO, AI CARA AGENT SE CONHECE A 3 ANOS E PUTX VÉI QE SDDS K AA SOU EU A PAULINHA OMG, DPS TER SUMIDO MAIS VC TBM SUMIO EM K AI VÉI TO QUASE CHORANDO DE FELICIDADES DE SABER DA SUA EXISTENCIA

Cáh Masen disse...

Ooooi! Aqui é a Cáh do Doctor, lembra? Só passei pra dizer que o blog ta aberto novamente (vi um comentário seu falando sobre hehe) e que lembro de você, mas meu msn foi rackeado e eu tive que criar outro... :/ De qualquer forma, adiciona o novo cahmasen@hotmail.com. Beeeeijos! xx

Téh disse...

AAAAAAAAAAAAh eu já li essa!
Mas ainda não tinha comentado!

è perfeita, eu adoro vc NILEY amiga, é tão espontaneo, fofo e romantico ^^